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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SOBREVIVENTE - Entrevista com Del Core

A revista italiana, dedicada ao vôlei, Pallavolo Supervolley, em sua edição de setembro, fez uma bela entrevista com a ponteira Antonella Del Core. Traduzimos e colocamos aqui embaixo, esperamos que gostem. Como já dissemos, essa revista é muito legal para quem gosta de vôlei, de uma forma geral. Eles falam de tudo, claro que com uma atenção maior para o que acontece na Itália. O site é www.pallavolo.org e lá dá para comprar a revista (sim eles mandam para o Brasil) ou até fazer a assinatura, se você for um doente por vôlei como nós duas.. ehehe.. tem também a versão digital, que é mais barata. Mas vamos a entrevista, feita por Isabella Mignani e com fotos de Fiorenzo Galbiati.

SOBREVIVENTE

Uma arritmia cardíaca a obrigou a renunciar as Olimpíadas a menos de um mês do início, temeu ter que dizer adeus ao voleibol. Depois, nasceu uma nova Antonella Del Core, vencedora e consciente. Pronta para jogar como estrangeira em Istanbul e para viver o primeiro Mundial de sua carreira.

Itália, quinta-feira 26 de agosto.
O despertador toca poucos minutos antes das 7. Apesar do verão, apesar do clima de férias não acabado, ainda muito presente, estico a mão na direção daquele “beep beep” infernal. Rolo para fora da cama para um encontro com aquele que um dia foi um tubo catódico. Aquele com o Grand Prix, aquele com a Itália escalada, assinada por Massimo Barbolini. Os reflexos azuis da tela invadem a sala. A Itália, essa manhã, enfrenta os EUA. Leio as formações, eu olho o Karch Kiraly como se fosse uma divindade a quem render uma homenagem. É um time farto em centímetros, de braços potentes, de defesas insanas. As “estreladas” são um osso duro, talvez ainda mais do que em 2008 em Pequim contra a gente. Brutas imagens, brutas recordações, dignas de esconder em algum lugar da cabeça. Nessa fuga dos pensamentos ruins, os olhos voam à nossa bandeira, àquela fila de meninas em azul, que lutam sempre como leoas. O olhar procura Antonella Del Core, o nosso personagem do mês, e não a abandona mais. Ação pós ação procuro a confirmação das palavras da nossa última conversa. A partida toma uma direção tudo menos positiva. As americanas no bloqueio são intransponíveis e, se alguma bola conseguia se infiltrar, Sykora era pronta para fazer uma defesa, sempre atenta. A derrota é sonora, uma lição de voleibol. O resultado, fora a desilusão, não nega o que digo de Antonella. Talvez a defina ainda melhor. Pode se transformar em outro combustível, guardado, para queimar na hora certa. O momento certo é uma janela que vai de 29 de outubro a 14 de novembro, no Japão. O momento certo, onde as lições aprendidas e metabolizadas hoje se tornarão úteis, é o Mundial 2010. Um encontro que esperamos, que queremos. Esperando mais do que nós, apaixonados, estão elas. As nossas “azzurre”. Antes de nós, está ela. Antonella.

Ela que, por mais que pareça mentira, um Mundial, nunca disputou. Ela que tem vontade de invadir aquela janela. Encarando e apontando direto ao topo do Mundo. “É um evento que faz parte do percurso desse grupo, não importa se é um ano par. Chegou o momento de acabar com esse tabu, uma pimentinha a mais para uma supersticiosa como eu. Eu acredito muito, se tudo correr bem, será o meu primeiro Mundial. Em 2002, ainda chegava à seleção, em 2006 fui uma das últimas cortada. Agora quero ir ao Japão, viver essa competição internacional. Sou sempre um concentrado de emoções, de desafios, comigo mesma, com os adversários. Não se habitua nunca a esse tipo de adrenalina. Quero experimentá-la ainda, fazendo parte desse grupo que tem como objetivo jogar o Mundial como protagonista. Estamos envolvidas por uma vontade de fazer bem, de vencer. Nesse grupo ninguém economiza. Na Itália tem muitos jogadores de nível. Ninguém te implora para jogar na seleção. A convocação, o seu nome na lista dos participantes, você deve conquistar, suar. Conta apenas aquilo que faz durante o ano, aquilo que faz nos períodos de treinamento, aquilo que pode dar ao time. Não encontrará uma de nós que não tenha fome. E o apetite vem aumentando. As vitórias não apagam, nunca, o todo. Tem sempre um lugar para a próxima. Esse grupo se forma sobre o divertimento e sobre a vontade de se sacrificar por um objetivo comum. O reencontro nos treinos, trabalhar duro por uma competição, nós adoramos.”
Sacrifício e diversão. Dessas duas coisas brota a determinação que se lê nos olhos das “azzurre”, mesmo nessa jornada errática, que teria muitos ‘porques’ ou álibis. “Não se preocupe, não teremos a crise dos EUA – nos tranqüiliza Antonella – devemos pensar na próxima partida. Encaramos esse Grand Prix com muita serenidade. Estamos em plena preparação, muitas de nós não deveriam nem estar aqui, se estamos é por força do regulamento. Tem quem não está no top da forma, quem deve gerir pequenas contusões. Tem tantas situações do jogo como equipe que temos que recriar, mas não vivemos nada de tudo isso como um problema, como uma desculpa. Vitórias e derrotas dependem do nosso jogo, daquilo que expressamos. Não devemos nos exaltar ou deprimir, em dois meses teremos uma outra identidade.”
Uma outra. Não uma identidade. E nesse sentido tem aquele caminho enquanto time, que Antonella falava no início. Essa seleção sabe bem quem é. O papel da bela inacabada não tem espaço nas malas esse ano. O espaço livre entre as joelheiras e a fita, entre o uniforme e o tênis é ocupado pela vontade de redenção. “Temos tanta, em cada uma de nós. Já demonstramos, antes de tudo, para nós mesmas, que sabemos levantar depois de uma queda. Estávamos na terra depois do Mundial de 2006. Não defendemos o título de 2002, como devíamos. Tínhamos nas costas as marcas do verão, os problemas com Bonitta, o pouco tempo que Barbolini teve para construir um time que desse jogo. Aquele era o ponto de início, o momento em que, pela primeira vez, acreditamos de verdade no nosso potencial, que nos demos conta que temos qualidade moral e técnica para ir longe. Teria sido um grande erro desperdiçar tudo, deixá-lo ir embora como água suja. Massimo começou a nos tratar como mulheres, redefinindo completamente a gestão do grupo. Nós reagimos como mulheres fazendo um 2007 espetacular. O título Europeu e a Copa do Mundo, o recorde de vitórias consecutivas. Quando caímos ficamos mal, como todo mundo, mas permanecer na terra não tem cabimento. Reagimos, nos levantamos assim que temos a possibilidade, essa é a nossa força. Depois das Olimpíadas de 2008, com tudo o que teve no meio, podíamos nos perder, mas vencemos outro Europeu e a Copa do Campeões. É como se guardássemos um tesouro. Um tesouro que não foi doado, que não caiu do céu, mas que foi conquistado com o nosso suor, com o nosso empenho. Devemos defendê-lo com todas as nossas forças, não existe sacrifício grande demais para esse tesouro. Aquilo que esperamos daqui a novembro é claro. O Mundial é um objetivo construído ao longo do tempo, desde quando Massimo expôs os objetivos da temporada e o método de trabalho. Quando chegamos ao retiro, não tínhamos muitos discursos a fazer. Nem com ele, nem entre a gente. Temos já uma boa visão do tipo de trabalho a executar, cabeça e físico já estavam prontos para recebê-lo. Sabemos que em volta da gente tem pressões diversas, que hoje jogar pela Itália significa assumir um outro tipo de responsabilidade, que quem está do outro lado da rede coloca entre seus objetivos nos bater ou jogar de igual para igual com a gente. Tudo isso não deve nos distrair, as quedas de concentração tem um preço muito alto a ser pago. A nossa força é o jogo em conjunto, precisamos de todas para vencer. O Grand Prix teve um bom nível, serão 4 ou 5 seleções que poderão lutar pelo título. Entre esses estamos também nós, temos alguns anos a mais comparado à alguns outros, isso também nos dá um estímulo a mais. Somos tudo menos indestrutíveis ou invencíveis, mas não por isso precisamos nos esconder, falar em voz baixa os nossos objetivos. Nós não damos desculpas para as derrotas, para os erros. Sobre isso, somos muito determinadas.”

Parece que voltamos aos anos 90, quando Velasco ligava a síndrome de Calimero ao movimento masculino italiano. O discurso de Antonella não tem desulpas, sua voz também não. A sua vontade de resgate é exposta, mostrada, revelada sem pudor. Tudo culpa ou mérito daquela Olimpíada. Negra, desastrosa, um soco na boca do estômago. As Olimpíadas, as de Pequim 2008, das grandes ausências. A de Aguero, mas sobretudo a de Antonella, fora de jogo por uma arritmia cardíaca a menos de um mês do início dos Jogos, sem ter tempo de efetuar a contra-análise. Uma mágoa por não ter visto a melhor Itália ficará para sempre, mas, se queremos continuar merecendo um olhar olhos nos olhos com Antonella, devemos prendê-la ali. Depois de tudo que foi dito, não podemos transformá-la em um álibi, em uma desculpa. Ela não merece, não é justo. Aquela Olimpíada, porém, é o seu renascimento. Falamos de quedas, mas aquela de Antonella era perigosa. O fato que hoje aquele número 15 ainda seja vestido por ela e que sua personalidade durante os minutos de jogo tenha crescido, faz com que ela entre, por direito, no clã dos nossos intocáveis. Não estamos fazendo um altar e acendendo velas, o que estamos escrevendo é uma outra coisa. É o respeito por um atleta, mas antes de tudo, o respeito por uma mulher que enfrentou e superou a tempestade. É como se fosse uma sobrevivente. “O problema – ela diz – não foi perder as Olimpíadas. Infelizmente, mesmo que você se prepare para um objetivo por quatro anos, pode acontecer. Basta que estupidamente torça um tornozelo. A realidade mais difícil que tive que lidar foi a de não poder jogar nunca mais. Experimentei aquilo que o lugar comum chama de ‘o mundo caiu na minha cabeça’”.

É como se de um dia para o outro tivessem roubado de Antonella não só seu uniforme, mas sua identidade. Freqüentemente escrevemos e lemos que ser atleta é uma escolha integral, uma atividade que começa quando você acorda. Você é um atleta por aquilo que come, pelas renúncias que faz, pelo repouso que concede ao seu corpo, todos momentos importantes como as horas de treino. “Me senti vazia, tudo aquilo que era estava desabando, não tinha nada que ficasse em pé. Forçadamente tinha uma Antonella sem o voleibol, sem treinos, sem tabelas, sem horários, sem regras com que devesse conviver. Uma Antonella que em alguns anos existirá, mas que ainda não estava pronta”. É um verdadeiro terremoto quando o futuro se torna o agora. “Antes daqueles dias, não tinha nunca pensado na minha vida sem o vôlei, no meu depois. Agora o faço, com extrema serenidade. Penso no depois, no como. Naquele verão não conseguia, não tenho medo de admitir que passei quatro meses de profunda crise. Naqueles momentos não sabe mais quem é. Não era mais solar e positiva. Eu era lunática, meu humor mudava freqüentemente, tudo era tão difícil de encarar. Naqueles momentos a minha força foi a minha família e o meu namorado”.

Eram deles as mãos a se apegar quando a areia movediça da alma puxava Antonella para baixo. Só eles eram capazes de lhe enxugar as lágrimas. E foram muitas. As vezes eram a única maneira de se expressar, ocupavam o lugar das palavras. “Não conseguia falar com ninguém, nem com as minhas companheiras, não conseguia dizer nada que tivesse sentido. Fui a Pequim encontrá-las e as encontrei com muita vontade de lutar, mas também perturbadas.”
Tudo isso ficou para trás. Ficou uma Antonella mudada. Por força maior. “A minha visão do voleibol é muito diferente. O vivo com o mesmo empenho, com a mesma paixão, porém, sabendo que a Antonella não é só o vôlei. Que existo também sem ele, que tenho uma família forte em quem devo pensar mais freqüentemente, que devo sentir e viver com mais intensidade. Tudo isso tornou quase fácil jogar voleibol. Tudo aquilo que não é diretamente jogo, eu vivo com mais delicadeza, as pressões me perturbam menos. Com certeza o mais difícil foi ver minhas companheiras começarem um campeonato sem mim, acompanhar da tribuna pelos primeiros meses da temporada. Esperei por aquela autorização com tudo de mim, depois dei tempo para reencontrar o ritmo de jogo, para administrar a tensão de um jogo. Reencontrar a forma física foi o passo mais fácil”.

Depois das lágrimas tristes de agosto, tem tempo para aquelas mais leves. Depois da dor, chega o momento da alegria esportiva para Antonella. O primeiro sucesso, que acaba com qualquer dúvida sobre o seu valor, foi a Champions League de 2009.Era uma vitória, mas Antonella não continha as lágrimas. “ Foi a primeira vez que chorei depois de vencer um jogo. Foi realmente uma liberação, o momento de exorcizar todos os fantasmas”.
Fechado com um cadeado, grande como o coração de Antonella, que quis esquecer as dores daquele verão. Antes da forma, a atacante da seleção azzurra, reconstruiu o seu caráter, definindo seu modo de ser. Teve o tempo para a raiva. Depois o esquecimento. Perseguiu a ausência de recordações até quando esse era um espectro de dor. Na sua memória resta apenas a certeza que aquela experiência será a base sobre a qual se constrói a próxima reação. Um pouco como quando depois de cometer um erro em uma partida pensa na ação seguinte. Na próxima bola, Antonella consegue pensar, agora, com a mesma lucidez com que descreve o grupo azzurro, o porque conquistaram tantas vitórias, que antes pareciam distantes. Os créditos da partida com os EUA estão correndo. O resultado tem um sabor amargo e severo, as palavras de Del Core não causam alarde: o valor desse tesouro é claro, também para a gente. O olhar do nosso personagem não está desalinhado. Nunca. Com o suporte da coragem que tem, que não a faz pensar nunca que os resultados estão já escritos. “Nem no negativo, mas sobretudo nunca no positivo. A Champions League vencida pelo Bergamo, há poucos meses, foi o último ensinamento nessa matéria. Nunca pecar por presunção. Te tira energia, a capacidade de reagir ponto a ponto, reagir em uma situação mais difícil do que aquela que imaginou. Foi isso que aconteceu com o Fenerbahce na final. Quando chegamos a Cannes, sede do Final Four, a cidade estava cheia de manifestações do time turco. Para eles a copa já havia pego o vôo para Istambul, tinha foto das jogadoras, palavras de agradecimento. O final, porém, foi bem diferente. A copa vencemos nós, a venceu mais uma vez o Foppapedretti. Aquelas manifestações foram o fundo perfeito para as fotos pós-jogo. Os nossos sorrisos eram ainda maiores”.

Uma derrota que, a julgar a campanha feita pela Fenerbahce, é bastante difícil de aceitar.
Del Core, ano que vem, será também adversária no campeonato com a blusa do Eczacibasi.
“Estou a procura de novos estímulos. No final da temporada estava muito indecisa, por um lado tinha a vontade de ficar em Bergamo, por outro aquela de sair naquele trem que dizem só passar uma vez. Para tirar cada dúvida recorri a Gioli, que contou como cresceu o profissionalismo dos clubes do exterior. Uma organização que logo percebi no meu clube, que coloca a disposição das jogadoras casa, comida, que tem um ginásio próprio. Em suma, tem uma organização de empresa. No meu time reencontrarei Jenny Barazza (não sabia ainda que estava grávida) e pela primeira vez viverei a experiência de ser estrangeira, de ter sobre mim o olhar dos torcedores e o peso das expectativas. Terei o dever de ser aquela que faz a diferença. Nada disso me incomoda, nem mesmo a distância. Entre eu e meu namorado ou minha família, tem um vôo de distância. Vou a Istanbul, uma cidade belíssima para jogar voleibol, não me pedem nada daquilo que não saiba fazer. Muda a panela, mas o caldo continua o mesmo”. Só com um perfume de mais especiarias.


QUEM É ANTONELLA

Antonella Del Core nasceu em Napoli, em 5 de novembro de 1980, e joga como atacante no Eczacibasi Istanbul, na Turquia. Nas últimas duas temporadas vestiu a camisa do Bergamo, antes jogou no Perugia, Pesaro e Napoli. Venceu 1 campeonato italiano (Perugia 2007), 3 Champions League (Perugia 2008, Bergamo 2009,2010), 1 Copa Itália (Perugia 2007), 2 Copa CEV (Pesaro 2006, Perugia 2007) e 1 Supercopa (Perugia 2007).
Com a seleção estreou em Brema em 7 de janeiro de 99 (Itália- Cuba juniores 3-0) e venceu 2 europeus (07/09), uma Copa do Mundo (07) e uma Copa dos Campeões (09). Participou das Olimpíadas de Atenas em 2004, terminando em 5º lugar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pallavolo Supervolley - Hello Francy

Seguindo o que começamos no mês passado vamos colocar a coluna da Piccinini da edição Julho/Agosto.

Rimessa a Nuovo

Os dias de folga depois do fim do campeonato foram muitos e agora estou com muita vontade de voltar à seleção

Estou feliz que recomeçou a temporada com a seleção e esse ano estou ainda mais animada porque depois do fim do campeonato tive bastante tempo livre. Passam os anos e as vezes sentimos também a necessidade de fazer outras coisas, mas estou realmente muito feliz que em 18 de julho começaremos a pensar no objetivo principal, o Mundial. Antes que ele chegue, teremos o Grand Prix e o qualificatório para a edição do próximo ano, que serão importantes para conquistar pontos preciosos também para as Olimpíadas. Temos diversos objetivos e uma grande disposição.
O primeiro encontro foi na Sardenha, onde fiquei só por uma semana. O grupo era grande, com a inserção de algumas novidade com a Cagninelli e a Segalina, mas também a Bechis, que esse ano, no Urbino, fez um grande campeonato. Éramos muitas e com muita disposição para fazer. Nos primeiros dias de retiro, as mais jovens partiram logo forte e imediatamente já estavam dominando a bola, como se nunca tivessem parado depois do fim da temporada. Eu, ao contrário, fazia parte de um grupo menor que fez apenas musculação. Nós brincávamos pensando em que condições nos encontraremos na metade de julho, quando voltaremos a trabalhar com as outras meninas.
Pelo programa original, nós veteranas não devíamos jogar o Grand Prix, mas descobrimos que vamos jogá-lo. Não será fácil e talvez vá nos tirar a possibilidade de fazer uma preparação mais específica, porém tenho toda confiança no trabalho di Ezio (Bramard), nosso preparador físico, e nas escolhas de Massimo (Barbolini), que são igualmente tranquilas. Ainda que joguemos o Grand Prix teremos tempo para fazer um ótimo trabalho físico.
Jogaremos muito, mas também teríamos que fazer ainda que não fossemos ao Grand Prix. Assim, pelo menos teremos a possibilidade de enfrentar adversários de alto nível.
O nosso é um grupo que se conhece bem, mas não é por isso que não temos que trabalhar para melhorar tecnicamente e unir o grupo. Não acredito que nesse aspecto teremos problemas. Devemos, porém, trabalhar sobre os pontos que ainda faltam para chegarmos à perfeição. O tempo é grande e tenho certeza que faremos bem.
O Mundial ainda está muito longe. Nós procuraremos jogá-lo com tranquilidade e serenidade. Em todas as competições os times fortes estão presentes, mas se trabalharmos como devemos podemos pensar em colher algumas satisfações. Será uma temporada longa e difícil e cada partida será importante: devemos pensar dia após dia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pallavolo Supervolley - Hello Francy

Como a repercussão do texto da italiana Francesca Piccinini sobre a maternidade foi boa, muita gente escreveu dizendo que gostou do texto, da maneira como ela escreve e tal, resolvemos publicar outros textos dela aqui.

Piccinini tem uma coluna na revista Pallavolo Supervolley, se chama Hello Francy, e todo mês ela escreve um pouco sobre como está a temporada, os treinamentos ou sobre o que ela ache interessante. Para quem gosta dela e/ou do vôlei italiano é bem legal.

Então a partir de agora vamos escrever a coluna aqui também. Será com um pequeno atraso porque dependo da revista chegar aqui em casa, o que demora um pouco, já que estamos no Brasil..rs... Se os correios ajudarem prometo não demorar muito.

Vamos começar com a coluna de junho. Espero que gostem.

"NÃO ME MOVO

Eu também recebi uma mega proposta da Turquia, mas disse não: o dinheiro não traz felicidade

Chegou ao fim uma temporada muito equilibrada, na qual os três primeiros times da fase regular ganharam alguma coisa: nós de Bergamo a Champions, o Villa Cortese a Copa Itália e o Pesaro o Scudetto. Foi um prêmio para todos, na verdade, ainda que eu gostaria de ter vencido mais, especialmente o Scudetto. O campeonato foi de alto nível, com times menos cotados que fizeram uma ótima temporada. Fiquei muito feliz pela Copa dos Campeões que vencemos, porque foi a segunda consecutiva e veio contra um adversário que queria esse troféu a todo custo e investiu muito para levá-lo para casa. Com certeza eu gostaria de ter acabado com o Scudetto também e ficou uma pontinha de tristeza .

Agora tem uma fuga geral. Todos vão à Turquia para atender propostas “indecentes” do ponto de vista econômico. A maior parte das jogadoras está pensando e algumas já estão de partida, como Antonella Del Core, que deixou o Bergamo para ir exatamente para a Turquia. Os movimentos são muitos, mas de concreto pouco se tem. Eu gostaria de já conhecer os times para o próximo ano, ainda que, como já deu para entender, perdendo muitas jogadoras fortes o campeonato italiano continuará, de qualquer forma, de alto nível. A prova disso tivemos há dois anos, quando a A1 era competitiva e difícil, mesmo com a saída de tantas meninas.

Eu também recebi uma mega “propostona” da Turquia, mas não aceitei. O dinheiro não traz felicidade. Eu estou bem em Bergamo, eu gosto da Società, estou aqui há 12 anos e quero ir embora um dia levando comigo um belo Scudetto. E esse é o meu novo desafio: não acabar o campeonato como esse ano na semi-final. No próximo ano para a gente o objetivo Scudetto será ainda mais importante.

Agora desfrutarei das minhas férias... merecidas. A temporada foi longa e, além disso, é justo que nós “velinhas” repousemos um pouco mais. E agora, como sabem, mar, calor, praia. Eu tenho sorte porque, no mar, eu nasci e tenho casa na Marina de Massa e comprei um apartamentinho em Boavista e estou pronta para partir!"

fonte: Pallavolo Supervolley

domingo, 4 de julho de 2010

Alfabeto da 'Pallavolo' - Christiane Fürst


A revista italiana Pallavolo Supervolley, que tem uma edição por mês, tem como uma de suas matérias de destaque o 'Alfabeto', na qual eles fazem uma espécie de entrevista onde o personagem deve dizer o que lhe vem a cabeça com cada letra do alfabeto. A entrevistada da revista de junho foi a central alemã Christiane Fürst. Como ela falou do Brasil vamos reproduzir aqui. Esperamos que gostem.

A - Antje. Sua irmã mais velha. "Tem 32 anos e desde sempre vive com grandes problemas físicos e psíquicos. Não se dá conta da dimensão espaço-tempo e vive em um lugar especializado que a ajuda. Mas eu sinto que ela fica feliz quando eu volto e ficamos todos os quatro juntos, ainda que só para um lanche". Christiane abre a porta de casa e nós, na ponta dos pés, entramos.

B - Brasil. Uma alemã que ama o Brasil. Nada mais compreensível, já que fez parte do ciclo verde-amarelo nascido em Pesaro. Alí, venceu os primeiros dois Scudettos do Scavolini e trabalhar com Zé Roberto e Vercesi, conviver em campo e vestiário com Mari, Sheilla e Jaqueline contagiou seu modo de viver e pensar. "O Brasil é um país fascinante. Eu gosto do jeito como levam a vida e quando, com a minha seleção, fomos treinar lá, entendi porque todos, no fim, querem voltar".

C - Café. É bom o brasileiro, mas o café italiano, esse só se bebe aqui. "Acabei comprando uma Nespresso. O gosto do café italiano só se encontra aqui e agora não quero menos".

D - Dresden. Essa é a casa. Sua. Mas não a perguntem se é para li que quer voltar. Se firmar não é exatamente no que pensa. "Sou alemã, moro na Itália, mas sou cidadã do mundo. Dresden é a cidade onde nasci e onde mora minha família. É próxima à montanha e também é chamada de 'Elbflorenz', porque lembra um pouco Florença, com o rio (Elb) que divide em duas a cidade. São tantas pequenas igrejas e é muito característica".

E - Estate (verão em italiano). Viveu em Pesaro dois anos, onde "no final de maio já estava calor. O verão me agrada muito e também o mar e o sol, mas também gosto do inverno, quando, com a neve, a paisagem é toda branca e tem um silêncio que encanta".

F - Família. Tradicional, grande, mínima ou com primos e parentes incluídos no pacote. O conceito é personalizável. "A minha família é meu pai, minha mãe e minha irmã. Eles são o meu ponto fixo. Ainda que eu esteja viajando pelo mundo, para viver minha vida, eles estarão sempre ali. Quando é possível meus país me acompanham, sempre de carro. Estavam em Cannes para a final da Champions League. Minha mãe, na faculdade, praticou ginástica e vôlei, meu pai era militar e o esporte é essencial. Nunca fui uma fanática, minha paixão cresceu com o tempo e a primeira verdadeira escolha pelo vôlei fiz quando decidi vir para a Itália".

G - Gelato (sorvete em italiano). Uma paixão. "Como em todas as estações e com todas as temperaturas. Para distinguir aquele que é bom me basta olhar a Stracciatella (flocos). Se tem pedaços de chocolate grandes então está bom. Os meus sabores preferidos são: côco, frutas e obviamente...Flocos".

I - Istanbul. Mais uma. A Turquia esse ano está na moda e até nossa Christiane decidiu ir ver como está no Oriente. Em Istanbul vai reencontra Antonella Del Core, com que jogou na última temporada, e Kasia Skowronska, junto a ela em Pesaro. "A escolha feita há três anos foi a correta. Me encontrei muito bem, mas só assino contratos de um ano. Porque a cada temporada tem uma história. E no próximo ano jogarei no Fenerbahce". A 'campanha' italiana lhe rendeu 2 Scudettos, 1 Champions, 1 Coppa Italia e uma Copa CEV. Nada mal.

k - käfekuchen. (Fürst quis trocar o h pelo k). Também conhecido como Cheesecake. "Gosto de cozinhar tortas e biscoitos. Mas na maioria das vezes faço para os outros". Para maiores informações perguntem às suas companheiras de time.

L - Livros. Ela lê todos os tipos. Dos textos universitários aos romances. "Leio muito. E se eu gosto de um livro e não acho em alemão compro em inglês. Em italiano leio aqueles mais fáceis, ou as revistas, para melhorar a língua".

M - Mar ou Montanha. É um pouco como branco e preto. Quem não ama o cinza apreciará. Christiane pensa assim. "Se devo imaginar o lugar onde irei viver, deve ser perto do mar ou da montanha. O lugar ideal onde firmar-me ainda não encontrei. Tem que ser tranquilo e eu ainda não sou. Mas quando chegar a hora, terá uma das duas características".

N - Nazionale (Seleção). O objetivo é o Mundial no Japão, como para a Itália. Na seleção alemã, joga desde 2003 (desde 99 se incluirmos as categorias menores) e a guiá-la tem um italiano, Guiovanni Guidetti. "Nos últimos anos o time se renovou, o grupo é fantástico. Ficamos bem juntas e para gente é uma honra, ainda que não ganhemos nada na seleção. Minha companheira de quarto? Heike Beier, esse ano no Piacenza".

O - Objetividade. É preciso ser sincero. Para Christiane não foi sempre fácil encontrar as palavras certas para se expressar. Mas quando entende suas idéias, sua abertura para o mundo, que quer continuar a conhecer, te escapa um sorriso. "Escolhi essa palavra, porque para mim a objetividade pode ajudar as pessoas a viverem melhor, a se entenderem e se compreenderem sem pré-julgamentos. Ou seja, abrir a mente".

P - Photo. Se recontar em 21 palavras, esse é o objetivo do 'Alfabeto'. Tem quem leve mais a sério, quem se diverte de A a Z e tem quem diga uma letra e a deixe em suspenso. Basta a letra. E essa é uma dessas situações. "É um segredo entre mim e uma outra pessoa. Posso dizer que é uma coisa que me remete à muita alegria".

Q - Qualidade. Aquilo que encontrou no Foppapedretti Bergamo. Aquilo que se empenha em honrar cada vez que entra em campo. "Nunca encontrei na Europa um time mais profissional que o Bergamo. Foi um pecado não termos vencido mais esse ano. A Champions a tenho partircurlamente, porque era o único troféu que me faltava, mas podíamos conquistar também o campeonato e a copa Itália. Infelizmente, as contusões nos limitaram, sempre faltava alguma coisa e Leo Lo Bianco não jogou como quis".

R - Reunificação. "Durante anos meu país esteve separado, tinha a Alemanha do Leste e a do Oeste. Só depois da queda do Muro de Berlim voltou a ser uma nação unida, mas quarenta e um anos de divisão são ainda sentidos. São divididos os pensamentos das pessoas, especialmente as que hoje tem cinquenta anos. Assim, quem é do leste achará arrogante quem é do oeste e quem cresceu no oeste acha que sem eles o leste não seria nada. Mas eu não penso assim. Eu não nasci no Leste, nasci na Alemanha e gostaria que a reunificação, que foi concluída há vinte anos, fosse real para todo o meu país". Quem dera os livros de história tivessem a mesma eficácia que uma explicação assim.

S - Strudel. Digamos que ela cozinha doces, mas com isso tem alguns problemas. "Não consigo fazer a massa do Strudel como se deve! A zona em que vivo é considerada parte de um triângulo que compreende Bavaria, Áustria e República Tcheca e também a comida se mistura entre as várias culturas. Mas o pão eu gosto só do alemão".

T - Tranquilidade. Se diz que foram a dor e a inquietude que inspiraram as maiores óperas do mundo. E se tudo fosse calmo, e se Dante tivesse coroado os seus sonhos de amor com Beatriz? Certo é que aquela inquietude interior, que serviu de inspiração para muitos, para ela não tem o mesmo efeito. "Preciso de tranquilidade e serenidade para jogar. Se estou relaxada e nada me perturba, consigo dar o máximo de mim, fico mais rápida". E sua mão e seus bloqueios, mais pesados.

U - Universidade. Além de colocar bolas no chão, Christiane é uma estudante universitária. "Estudo história e línguas indoeuropéias e depois do final do campeonato voltei para casa para acompanhar algumas aulas. No próximo ano, espero me formar. Exercitar a mente, para mim, é tão importante quanto o corpo. Inicialmente, queria estudar medicina, mas não fui aceita e fui encaminhada para história, que eu semprei gostei".

V - Viajar. Em Paris esteve pouco, mas ficou fascinada e quer voltar. Nunca foi a Londres e ao sul da Itália. "Eu gosto de viajar pelo mundo, ver outras cidades e não só o aeroporto. Da Itália, me falta Florença e, principalmente, Roma, que para quem estuda história é o máximo. Onde você vai é pleno".

Z - Zé Roberto. O técnico que a quis em Pesaro. "Para mim é o melhor do mundo. Sou honrada de ter trabalhado com ele e sobretudo que tenha sido ele a me querer tanto na Itália. Nos conhecemos na seleção e começamos a falar. Ele tem fascínio e eu gosto da sua mentalidade, seu jogo veloz. Para mim foi muito importante e espero ter ainda a oportunidade de trabalhar com ele novamente".

fonte: revista Pallavolo Supervolley